terça-feira, 30 de agosto de 2011

Como montar um mix e buscar resultados mais estáveis para o crescimento econômico


Todos especialistas econômicos indicam que a economia brasileira passa por um processo de desaceleração. Isto é bom ou ruim? Depende da visão e da crença do analista. Para muitos é ruim porque a economia não avança, para uma corrente menor, no qual eu faço parte, é hora de pensar racionalmente e perceber a sinalização real que a economia indica.

Vamos analisar sobre a perspectiva de uma política fiscal que pretende reduzir juros em curto prazo e objetivar um melhor resultado para o crescimento econômico em longo prazo ao responder a seguinte pergunta: como reduzir a taxa de juros? Parece simples, mas como economia não é uma ciência exata, a solução encontra muitas variáveis e que nem sempre são as melhores respostas.

Uma das variáveis que influenciam o crescimento do produto é o consumo privado e público. A propensão a consumir, quando alta, reduz a propensão a poupar. Dessa forma, o somatório entre poupar e consumir é igual à renda. Por exemplo: a propensão a consumir é de 90%. Como a renda é 100% do que a pessoa possui a propensão a poupar será de 10%.

O que percebemos na economia brasileira atual? O índice de inadimplência calculado pela Serasa Experian elevou em 4,5% para empresas, fora a elevação do índice das famílias. A informação dessa estatística é que o consumo está acima da renda, ou seja, 100% da renda e um pouco mais é propensão do consumo, extraindo dessa informação que a propensão a poupar é negativa. Sendo assim, a economia não gera poupança que será revestida para investimento. Logo o crescimento em longo prazo fica comprometido.

Uma forma de elevar a poupança e incentivar os agentes econômicos domésticos a poupar é reduzindo o consumo em curto prazo. Mas como fazê-lo? É complicada a resposta, mas tem um agente que não compreende o bê-á-bá da economia e mantém a roda girando como se isso resolvesse o problema. Esse agente é o governo!

Quais são as medidas que indico para melhorar o perfil econômico em médio e longo prazo? Primeiro eu indico a redução dos dispêndios públicos e privados. Neste caso, precisamos mirar nas famílias. Aqui o problema é bem complexo, pois muda muitas estruturas familiares e perfis culturais. Mas é uma dica. O dispêndio público tão repetido na imprensa e por vários analistas necessitam de redução, mas onde? Precisamos pensar mais racional do que emocional. Os únicos gastos que exploram a economia do governo são os de custeio voltados a projetos sociais e compromissos permanentes, como salários do funcionalismo. É complicado cortar por cortar. Parte daí o paradigma que o governo tem de cortar gastos públicos que em sua maioria são de investimentos.

Assumindo o mix de reduzir o consumo, a economia realmente desacelerará e muitos empregos, principalmente do varejo, perderão fôlego e o nível de desemprego de último estágio reduzirá. Mas vamos com cautela. Se cair o emprego no setor varejista, aumentará os empregos do primeiro estágio da economia (extração, industrialização, manufaturas, etc.), que são atividades de respostas mais duradouras e no médio prazo recuperará a economia e os empregos de último estágio (vendas, serviços, etc.) que são perdidos em curto prazo.

A redução da propensão a consumir no curto prazo elevará a propensão a poupar, reduzindo assim a taxas de juros de curto prazo e o nível de investimento elevam os empregos de primeiro estágio, adquirindo novas atividades na cadeia produtiva, como os empregos intermediários, que faz a circulação dos bens. O aumento da poupança será consumido no médio e longo prazo.

O que acontece atualmente é o exposto. Com uma política monetária expansionista e uma política fiscal de elevação de gastos e propensão a consumir elevada, o dinheiro que entra na economia é confundido como poupança e aumenta o poder dos especuladores, que tem como incentivos a geração de riqueza no curto prazo. A economia então se desorganiza e o nível de investimento é comprometido. Os empregos? Esses poderão ter problemas estruturais, já que as contabilidades das empresas não dão mostras de bons desempenhos, pois muito capital de terceiros entram especulados, fazendo da economia um cassino.

A regra para reduzir os juros é elevar a poupança privada e pública por meios de incentivos de redução da propensão a consumir em curto prazo. Creio que é mais fácil uma disciplina do governo do que orientar todas as famílias brasileiras sobre a definição de poupança e esperar bons resultados quando a nossa cultura nos leva ao consumo imediato. Isto provoca distúrbios nas taxas do spread bancário, cheque especial e nas taxas dos cartões de créditos porque provoca uma corrida para o consumo sem renda e os preços desses ativos bancários aumentam com a demanda elevada. É complicado, mas assim vive a economia brasileira!

5 comentários:

Anônimo disse...

magnifico esclarecimento....Valeu!!


Edvaldo Frazão

Anônimo disse...

Agora a respeito de o Brasil conter os gastos, isso vai ser muito dificil, pois sabemos que temos pela frente grande eventos,tais como,Copa do Mundo,Olímpiadas,Trem Bala,Usina de Belo Monte, só para citar alguns, que será necessário gastos colossais por parte do governo. E ainda temos os velhos problema da Previdência, e não sei se é tão novo assim os desembolso do Tesouro para o BNDES. Com isso podemos perceber que estamos correndo grande risco de sermos afetado pela crise que assombra os EUA e Europa, embora o Ministro da Fazenda diga que estamos preparado para a crise. Mas, com todos essas politicas de gastos, dúvido muito que estamos realmente preparados.
Mas vamos torcer!!


Abraço.

Edvaldo Frazão

Sérgio Ricardo disse...

Grande Edvaldo, bom tê-lo de volta.
Você viu ontem a reunião do COPOM que decidiu reduzir os juros em 0,5 p.p? Pois é. Sem poupança real e o gasto explodindo teremos mais inflação e não teremos a cura tão cedo.

Bom ter seus comentários de volta.

Abraço!
Sérgio Ricardo

Anônimo disse...

Ok!! agradeço a recepção...

Estou concorrendo ao prêmio CNI de Economia 2011. Sei que lá tem muitas feras da área econômica, mas mesmo assim me atrevir em me escrever, se por sorte eu ganhar, a cervejada esta garantida. Então torça por mim, ok?

Edvaldo Frazão

Sérgio Ricardo disse...

Claro.
A torcida já está preparada.
Parabéns pela iniciativa e irei a sua comemoração se ganhar.

Abraço!
Sérgio Ricardo