quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Petrobrás: do povo ou ao povo brasileiro?

Quando os presidenciáveis debatem a privatização da Petrobrás, pergunto-me se ela é realmente ou não do povo brasileiro? Segue a resposta brilhante de meu professor, Adolfo Sachsida, sobre este tema tão regado de falácias e discursos superficiais.

O texto está na íntegra e corresponde a parte grifada.


"Por que a Petrobras não pode ser privatizada?

Vendo o debate presidencial temos a falsa impressão de que a Petrobras é dos brasileiros. Não, não é. Quem ganha com a Petrobras não é o povo brasileiro, quem ganha com a Petrobras são os acionistas da empresa e seus funcionários (que muitas vezes recebem salários muito acima do que seria de se esperar em empresas privadas).

A fala dos candidatos à presidência dá a falsa impressão de que se a Petrobras não pertencer ao governo então a riqueza simplesmente desaparece. Isso está completamente errado. A riqueza não é criada ou desaparece dependendo do status de uma empresa ser pública ou privada.

Privatizar a Petrobras não faz com que a riqueza desapareça, faz sim com que desapareçam os cabides de emprego que são usados como moeda de troca pelo partido no poder."


Podemos extrair desta análise que a Petrobrás privatizada a população brasileira teria realmente o ganho econômico que se espera de um país que paga tributos e espera que o contrato social que o estado se destina a promover seja respeitado ao oferecer serviços públicos com eficiência.

O que vemos hoje é apenas um brasileiro, o senhor Eike Batista, enriquecendo muito com a exploração de petróleo e as principais concorrentes da Petrobrás, as americanas ExxonMobil e Chevron, sendo suas parceiras comerciais na exploração de petróleo e elevando vossas lucratividades.

Se o jogo não é limpo, o melhor caminho é a privatização. O mesmo  ocorrido com a empresa Vale do Rio Doce. Com essa privatização, o Brasil colheu um melhor nível de eficiência produtiva com geração de emprego e renda, melhor capacitação profissional, qualidade em serviço, avanço tecnológico e concorrência com multinacionais em todo o mundo, resultado que espelhou um melhor desenvolvimento econômico. A Vale hoje é desejo de oportunidade de muitos jovens que se inscrevem em seus programas de trainee e buscam melhor qualificação profissional.

Para quem quiser conhecer melhor o trabalho de meu professor, acesse: www.bdadolfo.blogspot.com

8 comentários:

Anônimo disse...

Não sei se privatizar seria a melhor solução. Acredito que deveria ter menos interferência política nessas estatais (Sei que isso é uma utopia por se tratar de uma empresa teoricamente do governo). O que eu acho é que devemos acabar com essa política do companheirismo que o PT fez como nenhum outro partido fez ate hoje, de colocar companheiros políticos sem conhecimento técnico algum para administrar empresas com o porte da Petrobrás, por exemplo, apesar de não poder afimar se isso aconteceu com ela mas tem vários outros exemplos onde isso aconteceu. Eu queria saber onde foi parar o dinheiro dessas privatizações da época FHC. Não era muito interessado nesses assuntos na época mas se alguém puder me dizer onde foi parar o dinheiro ganho com venda dessas empresas, que foram vendidas a preço de banana, eu agradeceria. Não acho que em época de eleição seria o momento certo de discutir se é vantajoso ou não privatizar empresas estatais, pois, ao meu ver, as idéias e informações a respeito disso são muito tendenciosas e distorcidas. Isso tem que ser fruto de um amplo debate, mostrando-se os prós e os contras, com o máximo de transparência a respeito das informações e dados e deixar o povo decidir mediante plebiscito. Não sou contra privatizações mas acho que isso deve ser feito com muito cuidado.

Um abraço,

Leonardo.

Sérgio Ricardo disse...

Leo,

Concordo que este tema tem que ser mais sério e não da forma que está sendo jogado no debate.
Estou atentado a votar nulo justamente por isso. Os dois candidatos são demagogos e agem conforme o vento sopra.
Em termos de política econômica não vai mudar muito. Os dois são praticamente de uma mesma escola de pensamento e tem como principais assessores a defesa de uma intervenção estatal a qualquer expiro.
Privatizar a Petrobrás é uma grande saída até para reduzir os custos da indústria de transformação, barateando os preços para consumo e, assim, a população ganharia de verdade.
A iniciativa privada atua melhor nas expectativas racionais do que o governo e então abriria o mercado, elevando a competitividade e melhorando a produtividade.
Estes são os fatores para uma defesa da privatização de qualquer estatal pública.
Eu acho os principais presidenciáveis tinham que ser verdadeiros com a sua linha de pensamento e mostrar o ganho social que a população de fato terá se essas premissas forem respeitadas.

Obrigado mais uma vez pela participação.

Abraço!
Sérgio Ricardo

Anônimo disse...

Serjão!!!

Não sei como está a posição acionaria na Vale. Acho que o governo tem mais de 50% das ações com direito a voto.

Marcos

Anônimo disse...

"O mesmo ocorrido com a empresa Vale do Rio Doce. Com essa privatização, o Brasil colheu um melhor nível de eficiência produtiva..."

"Reconhecer a China como uma economia de mercado é uma dor de cabeça."

Sergio,

Uma pergunta: A Vale é o que é hoje, por causa da grande demanda chinesa por aço?

Marcos

Sérgio Ricardo disse...

Marcão, bons questionamentos.

No caso de reconhecer a China como economia de mercado é notar a guerra cambial que ela está gerando por não flexibilizar o câmbio.

Ela tem um nível de poupança doméstica altíssima e, concordo contigo, é uma demanda potencial de aço, já que é um país em desenvolvimento.

A Vale cresceu não somente pela China, mas por produzir commodities que é uma demanda mundial. E, na atual conjuntura, é o que vem segurando as economias médias do mundo, já que os países desenvolvidos estão injetando recursos públicos em projetos de infraestruturas para elevar o nível do produto econômico. Desta forma, a Vale foi acionada e aumentou sua participação na economia mundial, não somente na China.

Em relação à participação do governo no quadro societário da Vale, ele tem somado os fundos de pensões de estatais mais o BNDES, 40% de participação. Ele não tem mais o controle da empresa, tanto que não conseguiu destituir o Roger Agnelli da Presidência da empresa. O desejo maior do Sr. Eike Batista.

Marcão, eu aproveito o ensejo para lhe fazer um convite, já que gosto muito de seu nível de questionamento e ideias, para criarmos um blog para elevar o debate relacionado a temas econômicos. O que acha?

Leo, eu estendo o convite a você também.

Abraço!
Sérgio Ricardo

Augusto Freitas disse...

Fala, grande Sérgio!

Tô passando rapidamente pra mostrar sinal de vida. Não li o artigo, prometo que lerei logo, é que fim de semana...

Bom, antes de tudo. MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENGO!

Agora, falando sério, parabéns pela iniciativa. Acredito que os transeuntes deste espaço já estão tendo ótimas resenhas. Participarei delas, sempre procurando contribuir com o que sei e com a minha raiva (provocada pelos vagabundos do nosso país) sempre presente.

Apenas antecipando a minha opinião sobre a solução para o Brasil, que na verdade eu copiei do professor Dr. Marco Aurélio Bittencourt: FUZIL! Bota no paredão e manda bala em todos os calhordas que estão no poder político, e nos do poder econômico, que domina o primeiro.

Voltarei em breve. Grande abraço, e sigamos em frente!

P.S.: Marcos Paulo, eu te amo!

Augusto Freitas disse...

P.S².: "Privatizar a Petrobras não faz com que a riqueza desapareça, faz sim com que desapareçam os cabides de emprego que são usados como moeda de troca pelo partido no poder."

"moeda de troca" é um pleonasmo do pior tipo. Bola fora do Adolfo. Todo mundo erra...

Sérgio Ricardo disse...

Mestre Augusto,

Que excelente visita. Muito boa sua participação.
Eu fiz um convite a você e Marcos Paulo.
Vamos ou não vamos montar um blog?
Antes de qualquer coisa, valeu pelos comentários e o debate esta aberto para construirmos boas teses para o nosso país.

Forte abraço!
Sérgio Ricardo