terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tropa de Elite mostra o osso duro de roer!

O filme “Tropa de Elite 2” dá um tapa na cara de qualquer brasileiro que tenha decência e vergonha na cara. Todo o organograma do crime foi constituído e as pessoas que me conhece há anos sabem do que estou falando. Sempre utilizei o exemplo das drogas e traficantes do morro como os marginalizados do processo, mas ao se pensar pouco além, chegaremos aos laboratórios e aos atravessadores dessa indústria e isso foi tratado no filme.

Darei um enfoque econômico para este desequilíbrio demonstrado na longa metragem de José Padilha. Imaginemos no tráfico uma economia de mercado e não trataremos aqui pela questão marginal, mas sim pelas premissas econômicas. Toda a oferta é estimulada por uma demanda e isso estimula o produtor a investir em novos processos e ampliar sua produção, já que existe um sistema de preços que aloca este mercado. Voltemos então à economia clássica que reza que a oferta existe devido à demanda.

Quem demandará então? No filme “Tropa de Elite 1” este tema foi amplamente levantado e debatido. A classe média, principalmente a mais alta, é responsabilizada pelo enorme financiamento ao mundo do crime, ao consumir os seus produtos ilícitos, valendo-se de valorizar esta cadeia produtiva. O final disso tudo é mais que conhecido, todos os jornais noticiam mais de uma vez por dia.

Mas agora a trama avançou para entendermos este mecanismo por dentro. O que leva a este fim traumático para toda sociedade? O jogo sujo do poder. Não existe ética e sim interesses. Afinal de contas os agentes vivem de estímulos, mas poderiam ao menos ser sadios?

O fato é que o político mantém a sobrevivência do tráfico para os seus filhos consumirem e receberem de volta o benefício pago por meio da propina, que rendem dividendos políticos e páginas em livros de história. Eles têm o domínio de toda a situação, pois são os poderosos do sistema e com eles vem toda a indústria que alimenta este comércio ilegal. Aos filhos as clínicas de recuperação e aos traficantes os presídios de segurança máxima.

Mas, por qual motivo, razão ou circunstância existe toda essa organização? Primeiramente pelo fato do eleitor brasileiro ter aprendido “educação” em escolas precárias, sem infra-estrutura ou planejamento pedagógico, não ter acesso a bibliotecas e ter que reivindicar qualquer direito em associações de velhos grupos organizativos conhecidos que, em muitos casos, estão como todos os seus dirigentes corrompidos já que o direito a democracia não existe, que é o respeito à minoria, e minam as novas organizações sociais que defendem a liberdade.

Segundo, porque vivemos em um estado grande e que necessita de um pool partidário para garantir que as premissas básicas sociais maquiadas possam ser garantidas e que concentra todo o poder nesses grupos organizados que constituem células na imprensa, em organizações não governamentais, nas igrejas, universidades e por aí vai. Usurpam o verdadeiro poder do povo com mentiras e fantasiam a insegurança, para prometer segurança, a falta de senso construtivo, para prometer educação, as doenças sociais, para prometer saúde, e por aí vão se constituindo falácias e prometendo o céu em tempos eleitorais.

Sabe por que um policial recebe baixos salários? Porque o governo controla todo o sistema para estimular que esses policiais, que realizariam melhores serviços se fossem melhores remunerados, sintam-se estimulados a se vender ao crime e com isso ofertar caos à população que demandará mais ainda serviços do estado, o tornando grande e improdutivo.

Ô osso duro de roer. Enquanto isso, meu amigo, curtiu já o novo pagode ou funk que rola nos morros cariocas? A periferia precisa ser ouvida em suas vozes a falar de bundas e gostosas, criando um verdadeiro desejo sexual na sociedade. Fico então com os meus textos chatos e vamos levando a vida nas palavras de Zeca Pagodinha: deixa a vida me levar!

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom Sergião! Vamos ver até quando a sociedade vai aguentar isso!!!! Abrs

Gabriel Albanese

Sérgio Ricardo disse...

É verdade, mestre Gabriel.
A conta está alta e tende a pior.
Obrigado pelo comentário e fico feliz que tenha passado por aqui.

Abração!
Sérgio Ricardo