quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Primeiro tema: Aeroportos

Inauguro meu blog e não deixarei de ser polêmico. Afinal de contas, quem nunca viu um economista que não gosta de um bom debate. Até porque, precisamos discutir os fatos sociais que marcam a sociedade brasileira.

Temas interessantes que se tornam centrais em mesas redondas formadas por pensadores, também serão centrais aqui neste blog.

Para um início de debate, que tal discutirmos o motivo central das passagens aéreas brasileiras serem caras? Pois bem. Estava eu assistindo televisão um dia desses e via o caos que está os aeroportos brasileiros, problema latente e discutido por toda a sociedade em tempos atuais, principalmente no meio político, já que é ano eleitoral. Mas qual a causa que gera tanto aborrecimento assim ao transporte aéreo brasileiro?

Tenho algumas colocações para serem feitas:

a) Primeiramente o nível de investimentos na infraestrutura aeroportuária brasileira está muito aquém do ideal. Temos apagões anos após ano e que o governo ainda não “identificou” que o problema é a INFRAERO ser 100% estatal, vivendo de recursos do tesouro nacional, que garante na mesma conta todos os investimentos públicos, gastos de custeio, como salários do funcionalismo público, destino de recursos para manter os programas da previdência social, etc. Se enumerar todos os elementos que compõe a conta do tesouro, você, meu caro leitor, ficará indignado e descobrirá porque não consegue ter bons serviços aeroportuários.

b) Segundo, a baixa competitividade do setor. Notemos que apenas duas empresas, em um verdadeiro oligopólio, com uma formação de cartel explicita, são as concentradoras de mercado. Se bem sabemos no equilíbrio de NASH, todos os agentes do mercado ganham, mas neste caso, só dois agentes privados que lideram o mercado, pela simples falta de competição ganham, fora o governo que recebe na fatura de imposto. O único que perde é o consumidor.

c) E incluiria um terceiro item que é o caso da baixa formação técnica. Não basta investimento em obras se não temos profissionais capacitados para assumir as áreas estratégicas que o setor necessita. Outra forma de ocorrer  uma ampliação de investimento educacional é ocorrendo competitividade comercial, ou seja, com abertura comercial. Mais empresas no setor, maior o nível de produtividade, maior a demanda por trabalhador, maior será o nível de investimento educacional para formar mais técnicos atuando na área, desde o atendente no guichê vendendo as passagens ao piloto, que necessita de uma maior qualificação técnica. Para se ter uma ideia, em Brasília existe apenas uma instituição de ensino superior que forma pilotos comerciais, para se perceber a carência da área. E, pasme, Brasília é a terceira cidade que possui um dos aeroportos de maior importância no País, perdendo apenas para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.


É um tema importante, que demanda muitas discussões. Temos técnicos que são especialistas na área que não são utilizados, devido ao tema está fechado em um gabinete institucional no Ministério da Defesa por um Ministro, cuja formação é em direito, que já foi Ministro e Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro da Justiça, entre outros cargos que não se vem ao mérito, senão estaria propagando um currículo que não é o meu. Ou seja, notório saber jurídico e respeitabilidade em relação ao direito ninguém contesta, mas será que o Senhor Ministro atual é a melhor pessoa para criar políticas que incentivem e melhorem a questão aeroportuária brasileira? Será que deveremos ficar fadado aos "técnicos", que não são técnicos da área específica, para fomentar a dinâmica econômica brasileira? Imagine eu, com formação em economia, operando um paciente que está com apendicite? Não daria muito certo. Creio eu!

2 comentários:

Fred Wiener disse...

O que preocupa é a ilusão de que a Copa do Mundo e as Olimpíadas vão fazer o país crescer! Se não conseguimos andar nem com as coisas básicas e essenciais, imagine com outras mehorias...
Eu conheço o Brasil todo e seus aeroportos... Dá vergonha quando você vai a um Schiphol em Amsterdam ou a um JFK em NY...

Sérgio Ricardo disse...

Pois é Fredão. Está complicado e não temos uma liderança que revele com transparência este assunto. Escuto muito blá, blá, blá dos candidatos e não vejo uma postura concreta de quem resolverá este problema. Obrigado pelo post. Abraço!